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Até 2050, 4 trilhões de dólares deverão ser investidos na natureza

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Foto por Vlad Hilitanu no Unsplash

Recentemente o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), junto do Fórum Econômico Mundial e com a iniciativa Economia da Degradação da Terra, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) em colaboração com a Vivid Economics, lançam o relatório Estado das Finanças para a Natureza, que acompanha as tendências globais público e privadas em soluções baseadas na natureza. As informações são do portal Vegazeta.

O relatório prevê a necessidade de se investir na natureza em aproximadamente 4 trilhões de dólares entre 2021 e 2050, e portanto, um investimento de 536 bilhões de dólares por ano para criar soluções às crises climáticas, geológicas (degradação da terra) e da biodiversidade.

Os investimentos anuais até 2030 terão que triplicar e até 2050 terão que quadriplicar em relação aos valores mais atuais, sendo 133 bilhões o valor investido segundo dados de 2018, representando apenas 0,10 do PIB global.

O relatório enfatiza a pauta da natureza, a colocando como prioridade de investimento. Tanto os setores públicos e privados deveriam agilizar os fluxos capitais e as soluções baseadas na natureza ao considerar os desafios da sociedade e ao enfrentar crises climáticas e de biodiversidade, para assim diminuir as lacunas de investimento existentes.

Por que investir na natureza?

Ao ensejar transformações quanto ao direcionamento de investimentos e de criação de soluções pensando na natureza, tende-se a reconstrução sustentável. Ainda mais após a pandemia de Covid-19, segundo o relatório, deve ser repensado o uso de determinados combustíveis fósseis por exemplo, e incentivar mais a partir de modelos econômicos e regulações públicas estas transformações, já que a curto e a longo prazo os benefícios podem ser muitos para todos.

Investir na natureza significa a melhora da saúde no planeta, além de elevar a geração de empregos. Apesar disso, o estímulo econômico para tal tipo de investimento é baixo hoje, representando apenas 2,5% dos gastos de estímulo econômico. Pelo menos é o que se projeta para período pós pandemia, e é exatamente o tipo de questão que o relatório propõe mudanças.

O documento traz a importância da ampliação de fluxos de receita dos serviços do ecossistema aliado a modelos de financiamento, para assim atrair investidores do sistema privado, já que as transformações precisam do compartilhamento de riscos da entidade privada. Portanto, ele serve de alerta para que governos, instituições financeiras e empresas invistam na natureza, para atentarem-se a práticas de reflorestamento, agricultura regenerativa e a restauração dos oceanos.

Os países e líderes do setor privado terão a oportunidade de discutir sobre soluções baseadas na natureza nas próximas cúpulas sobre o clima, a biodiversidade, a degradação da terra e sistemas alimentares no contexto atual da Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas (2021-2030).

Manejo, restauração e conservação

Soluções baseadas em florestas vão exigir o investimento mundial de 203 bilhões de dólares anualmente, equivalendo a 25 dólares anuais por pessoa em 2021. O relatório traça os tipos de investimentos necessários, sendo eles medidas de manejo, conservação e restauração que almejam o aumento de áreas florestais e agroflorestais de aproximadamente 300 milhões de hectares até 2050, em relação a 2020.

As reuniões internacionais que irão discutir as questões relativas a soluções baseadas na natureza, bem como o lançamento da Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas em 5 de junho de 2021, indicam a oportunidade governamental, financeira e empresarial de alinhar os desafios econômicos atuais, como a recuperação econômica, com o Acordo de Paris e o Quadro Global para a Biodiversidade Pós-2020 antecipado, consistindo na limitação do aquecimento a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, e na redução e reversão da perda de biodiversidade.

Investimento em soluções baseadas na natureza

Em 2018, 18 bilhões de dólares, segundo apontamento do relatório, foi o investido pelo setor privado em soluções baseadas na natureza, sendo que o financiamento privado foi de apenas 14%, vindos principalmente de empresas de suprimento agrícolas e florestais sustentáveis; de investimentos de capital privado e filantrópico; de compensações de biodiversidade por entidades privadas; e mercados de carbono relacionados ao uso da terra, como a floresta.

Já no financiamento climático, o investimento do setor privado foi maior, sendo de 56% de acordo com a Climate Policy Initiative. Pelo fluxo muito menor no financiamento da natureza pelas entidades privadas, ficará o desafio para os próximos anos na ampliação do capital privado em soluções baseadas na natureza, e interligada ao crescimento econômico sustentável no século 21.

O setor público e privado necessitam desenvolver modelos de mercado amparados por soluções baseadas na natureza que repensem as formas de gerar receita, sem agredi-la, e que ainda propiciam o fortalecimento das atividades comerciais, reduzam custos e contribuam de maneira geral para o propósito do crescimento econômico sustentável dos próximos anos.

É necessário maior compartilhamento de risco do setor privado, porque apesar de parcela dele agir, está sendo insuficiente segundo as lacunas de investimento em soluções baseadas na natureza tratadas no relatório. Ainda falta maior comprometimento e responsabilidade do setor privado em promover estas soluções, estabelecendo metas claras e com limite de tempo.

As soluções baseadas na natureza não substituem a descarbonização de todos os setores da economia, mas são importantes, contribuem com a diminuição e a adaptação às mudanças climáticas necessárias.

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