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BBC publica vídeo mostrando benefícios de um mundo vegano

 

Foto: Reprodução | BBC

A BBC Ideas, subcacanal da emissora britânica, publicou no YouTube um vídeo lúdico, objetivo e didático sobre os impactos positivos da adoção mundial do estilo de vida vegano.

O material começa por explanar o cenário do consumo de carne mundo a fora. A média de consumo por pessoa é de 40kg ao ano – número tal que chega a dobrar em países desenvolvidos.

Ao passo que cita a opinião de especialistas, que apoiam a diminuição desse consumo em favor do clima, resta a dúvida de título.

Partindo do princípio de que 15% dos gases poluentes vêm da exploração animal para consumo, esse número seria zerado. Junto também com muito terreno, já que toda atividade pecuária compartilha extensão semelhante à dos EUA, China, Austrália e Europa.

A produção também reporta o problema do excesso de lixo e os tipos de pecuária que devastam a Amazônia. Cita também os danos do metano emitido pelo gado explorado.

Entretanto, um erro em “What if everyone in the world went vegan?” é associar a produção de soja que motiva a devastação com a alimentação vegetariana. Afinal, a maior parte da soja é usada para alimentar animais que serão destinado ao consumo humano, como explica o portal Vegazeta neste artigo.

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Anemia, fraqueza e alto custo: nutricionista desmente mitos sobre veganismo

Pixabay

O veganismo é cercado de mitos fundamentados na desinformação da sociedade. Em plena ascensão, essa filosofia pautada no reconhecimento dos animais como sujeitos de direito ainda enfrenta muito preconceito.

Para combater as ideias equivocadas acerca do veganismo e incentivar os leitores a conhecer mais sobre o tema e estimulá-los a se tornarem veganos, a Agência de Notícias de Direitos Animais convidou a nutricionista Maitê Ranheiri para desmentir mitos sobre o veganismo.

Ser vegano é caro? Quem consome apenas alimentos de origem vegetal pode se sentir fraco e desenvolver anemia? Vegetais causam saciedade? Atletas podem adotar o veganismo? Confira abaixo a lista de mitos desmentidos pela especialista.

(Foto: Impossible Foods)

“Veganismo é para ricos porque é muito caro ser vegano”

Maitê Ranheiri: Mito! Se formos pensar em custos, contando que os alimentos de origem animal – 1kg de carne custa de R$ 20,00 a R$ 40,00 – quanto compraríamos de vegetais com esse mesmo valor?

Uma alimentação vegana planejada pode ser e é mais barata. Sugiro preferir comprar vegetais em feiras abertas localizadas perto de sua casa, os valores normalmente são mais baratos e também damos preferência ao pequeno produtor.

“Atletas não podem ser veganos”

Maitê Ranheiri: Mito! O Journal of the International Society of Sports Nutrition mostrou em um artigo que com uma alimentação equilibrada e bem planejada, dando atenção as recomendações de energia, macro e micronutrientes, juntamente com a suplementação adequada, a alimentação vegana pode atender às necessidades dos atletas de forma satisfatória.

“É impossível um vegano ganhar massa magra durante a musculação”

Maitê Ranheiri: Mito. Conseguimos sim atingir as recomendações de carboidratos necessários para dar energia para o treino, e de proteínas para construção muscular, desde que a alimentação seja equilibrada e ajustada para o esporte e os objetivos do treinamento.

“A dieta à base de vegetais não promove a sensação de saciedade”

Maitê Ranheiri: Mito. A dieta a base de vegetais é a que maior promove a sensação de saciedade, por ter alimentos ricos em fibras solúveis que se transformam em gel após ingeridas, permanecem mais tempo no estômago promovendo sensação de saciedade. Este tipo de fibras é encontrado em leguminosas, sementes, farelos, frutas e hortaliças.

“Veganos ficam fracos e anêmicos”

Maitê Ranheiri: Mito. Qualquer pessoa, mesmo que seja onívora, pode ficar com deficiência de algumas vitaminas e minerais. Em relação aos veganos, a recomendação de ferro é maior justamente para evitar a deficiência. Porém, verificar os exames sempre é importante para analisar o perfil nutricional e a saúde. A vitamina B12 é encontrada somente em alimentos de origem animal, mas mesmo quem come carne pode ter deficiência dessa vitamina por depender de vários fatores para a absorção e manter os níveis destes nutrientes.

“Pessoas que trabalham com serviços pesados, como pedreiros, não teriam força física e energia para exercer a profissão se fossem veganos”

Maitê Ranheiri: Mito. Pelo contrário, a ingestão de carboidratos normalmente é maior em veganos, este nutriente é essencial para dar força e energia.

“Veganos só comem salada”

Maitê Ranheiri: Mito. Os veganos têm uma alimentação bem variada, incluindo cereais, raízes e tubérculos, frutas, verduras e legumes, oleaginosas e leguminosas.

“Só existe proteína de origem animal”

Maitê Ranheiri: Mito. A proteína de origem vegetal é encontrada nas leguminosas, cereais e oleaginosas. Esses três grupos alimentares são fontes de aminoácidos e se complementam formando as proteínas.

“A alimentação vegana não dispõe das vitaminas e minerais necessários à saúde humana”

Maitê Ranheiri: A alimentação vegana pode atingir a recomendação de todos os nutrientes, exceto a vitamina B12.

“Veganos precisam ingerir dezenas de suplementos”

Maitê Ranheiri: Mito. Pensando que ser vegano com uma alimentação rica em frutas, legumes e verduras, carboidratos e proteínas e precisando de uma quantidade maior para os nutrientes serem adequados, nem sempre essa população precisa tomar suplementos.

“Apenas veganos precisam de suplementação. Onívoros nunca precisarão suplementar a vitamina B12 ou realizar qualquer outra suplementação”

Maitê Ranheiri: Qualquer pessoa com deficiência de vitamina b12 deve suplementar. Alguns estudos mostram que a prevalência de deficiência desta vitamina é igual para onívoros e veganos.

“Veganos têm mais risco de desenvolver doenças, inclusive demência”

Maitê Ranheiri: Mito. Vários estudos comprovam que a alimentação baseada em plantas pode diminuir o risco de desenvolver doenças por ser uma alimentação rica em fatores protetores como vitaminas, minerais, fibras, antioxidantes e compostos anti-inflamatórios e reduzem o consumo de alimentos fontes de fatores causadores (como gordura trans, excesso de gordura saturada, carboidratos refinados, sódio em excesso e contaminantes químicos).

“A soja é rica em hormônios femininos e não deve ser consumida por homens”

Maitê Ranheiri: Mito. Soja não contém hormônio, ela tem uma estrutura molecular semelhante ao estrógeno – é chamada de fitoestrogêno – mas não desempenha a função do hormônio. Porém, em relação ao consumo de soja, prefira a orgânica.

“Bebês, crianças e grávidas não devem ser veganos”

Maitê Ranheiri: Mito. Segundo a posição da American Dietetic Association, as dietas vegetarianas bem planejadas são apropriadas para indivíduos durante todos os estágios do ciclo de vida, incluindo gravidez, lactação, infância e adolescência, e para atletas.

“É difícil ser vegano”

Maitê Ranheiri: Mito. Atualmente o mercado vegano está crescendo e temos muitas opções em vários lugares no país. A demanda do comércio vegano tem aumentado muito e a indústria está procurando se adaptar a isso.


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‘Eles sentem, é triste’, diz ativista sobre depressão em animais abandonados

Doddy espera por uma família há seis longos anos (Reprodução)

Os maus-tratos visíveis em animais abandonados, resultantes da alimentação precária e das péssimas condições em que vivem, não são as únicas consequências do abandono. Os atropelamentos, as doenças, a fome, a sede, também não são. Embora muitos não se atentem a essa realidade, os animais têm a saúde mental prejudicada pelas ações cruéis dos humanos.

Deixados nas ruas à própria sorte, eles sentem falta daqueles que os abandonaram. Isso porque, ao contrário dos antigos tutores, os animais amam verdadeiramente e não esquecem de suas famílias, mesmo após serem abandonados. O resultado disso é um estado depressivo.

Ativista pelos direitos animais, Mário Rangel presenciou alguns casos e fala com propriedade: os animais “sabem e sentem” que foram abandonados. Em entrevista exclusiva à ANDA, ele fez um alerta sobre a depressão em animais e um apelo em prol da adoção. Confira abaixo na íntegra.

ANDA: Desde quando você auxilia animais em situação de vulnerabilidade?

Mário Rangel: Fui criado pela minha avó e ela era protetora de animais e vegetariana. Desde então, amo animais. Tínhamos 17 cães e 17 gatos, fui criado nesse meio. Quando minha avó faleceu, intensificou-se ainda mais meu amor pelos animais. Até que tive uma namorada que queria adotar uma cadelinha e minha tia me apresentou a Toca do Bicho. Adotei para ela uma cachorrinha que havia sido estuprada. Fiquei muito amigo da Amanda Daiha, que é a presidente da ONG, e pedi pra ser voluntário para continuar lutando pelos animais. Em seguida, me tornei vegetariano. Quando minha avó morreu, decidi que lutaria pelos animais até o fim. Sempre os amei muito porque fui criado e ensinado assim, minha avó sempre me ensinou a defender os animais.

ANDA: Nestes anos todos de dedicação aos animais, quais casos de animais abandonados que você presenciou que te marcaram?

Mário Rangel: O caso de um gatinho que me chamaram para resgatar dentro da comunidade, o Tofu. Eu subi e ele estava dentro do bueiro, quase morto. Liguei para Amanda e ela conseguiu chamar os bombeiros porque ele estava bem lá dentro do bueiro mesmo e foi preciso a equipe para retirar. Ele chegou quase morto ao veterinário, eu me apaixonei muito por ele e decidi adotá-lo. Mas após uma semana de muita luta contra a hipotermia, a bicheira e a desnutrição, ele não resistiu. Acabou comigo!

Guerreiro recebeu esse nome após ser encontrado com uma orelha decepada (Reprodução)

E teve um caso recente do abrigo. A voluntária Amanda Pieranti recebeu um pedido desesperado de resgate para esse cachorrinho em Manguinhos. Ele estava há dias andando por todos os lados, todo torto, com a orelha decepada, tentando entrar nas casas, mas as pessoas expulsavam. Exausto, ele entrou numa casa, debaixo da escada da moradora, e ela colocou água, comida e implorou por resgate. Então, a voluntária falou com a dona da ONG, que chamou um táxi dog para buscá-lo. Ele estava tão mal, sem a orelha, dava até para ver uma parte do cérebro, conforme a voluntária nos contou. Um caso horrível. Demos a ele o nome de Guerreiro. Os moradores disseram que ele foi abandonado pelo antigo tutor e ficou vulnerável a brigas com outros cães na rua.

E tem o Doddy. Ele tinha um tutor, que era idoso e morreu. Como ninguém o quis, ele veio parar no abrigo. Por duas vezes, ele quase foi adotado. Mas as famílias desistiram. Ele ficou muito deprimido. Já está no abrigo há seis anos e precisa muito de um lar.

ANDA: Os animais resgatados de maus-tratos e do abandono são encontrados nas piores condições de saúde possíveis, mas o estado físico deles não é a única coisa a ser considerada. Como você observa o psicológico desses animais? Como eles se comportam emocionalmente falando?

Mário Rangel: Eles costumam vir bem acuados e com medo de sofrer agressões. Vão aos poucos permitindo afeto. São muito assustados, geralmente se encolhem de medo e ficam escondidos debaixo das mesas, no cantinho.

ANDA: Nas ruas, eles vivenciam muitos traumas. Você acredita que a separação dos tutores, que os abandonaram, é um desses traumas? Você nota que eles ficam deprimidos e demonstram sentir saudade de quem os abandonou?

Mário Rangel: Sim, eles ficam muito tristes, se sentem abandonados, por isso demora um pouco até eles aceitarem uma demonstração de afeto, porque sentem medo. O Tigrão quando foi devolvido ficou muito triste, só ficava escondido e não queria comer. Tive uma gata que os pelos começaram a cair após a morte da minha avó. Eles sentem e sabem, é muito triste.

ANDA: Como é o processo de reabilitação dos animais? O que a ONG faz para que eles saiam desse estado depressivo?

Mário Rangel: A dona da ONG é muito carinhosa, dá afeto, o filho dela também, os voluntários brincam, fazem aproximação. No abrigo, tem adestrador que faz atividades e socializa os animais. Mas de fato o amor é o principal.

ANDA: E qual a importância da adoção neste processo de reconstrução da saúde mental do animal?

Mário Rangel: Uma casa onde a atenção acaba sendo mais exclusiva para o animal é muito importante. Um abrigo, apesar de cuidar bem dos animais, deve ser um local de passagem, porque lá eles não têm a atenção que teriam em um lar fixo.

Deprimido e com medo, cão resgatado pela Toca do Bicho se encolheu em um canto após o resgate (Reprodução)

Quando um cachorrinho ou gatinho é adotado por uma boa família, ele aos poucos vai recuperando a confiança no ser humano. No novo lar, ele recebe mais atenção, mais carinho, e acaba confiando novamente.

Mas é importante explicar que nem sempre isso é imediato. Muitas vezes, um cão que já foi abandonado passa no abrigo e é adotado de novo, acaba ficando um pouco assustado a princípio na nova casa, isso é normal, é um novo ambiente, mas com paciência e calma, com o passar do tempo ele se adapta.

Como adotar?

Em todo o país, ONGs de proteção animal disponibilizam animais para adoção. Tantos outros podem ser retirados das ruas e levados para as casas dos novos tutores após uma ida ao veterinário. Municípios que dispõem de um Centro de Controle de Zoonoses (CZZ) também doam animais.

No Rio de Janeiro, a ONG na qual o ativista Mário Rangel é voluntário também tem animais à procura de lares. Para adotar um animal resgatado pela Toca do Bicho, basta acessar as redes sociais da entidade. “No Facebook e no Instagram, o interessado em adotar vai falar com uma voluntária que vai explicar exatamente como preencher os requisitos para adoção”, disse Rangel.

A associação também arrecada doações para se manter. Com a pandemia, as dificuldades aumentaram e, por isso, a colaboração da sociedade é essencial. Nas publicações feitas nas redes sociais da ONG é possível encontrar os dados bancários da Toca do Bicho. Moradores da cidade de Itaboraí, onde o abrigo está localizado, e de outras localidades da região também podem fazer as doações presencialmente.


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Coala e cachorro ficam amigos após incêndio na Austrália

Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, os dois animais dividem uma bebida em meio à seca que assola o país

Nesta segunda-feira, 13, Bindi Irwin, que trabalha no Zoológico da Austrália, compartilhou uma atualização no Instagram sobre um dos animais socorridos nos incêndios da Austrália, Barry, um coala, que está em tratamento após sofrer uma doença pulmonar por inalação de fumaça.

“Felizmente, depois de algum amor e carinho da equipe do Hospital de Vida Selvagem do Zoológico da Austrália, ele está no caminho da recuperação e, em breve, estará pronto para ser liberado em uma área segura”,declara Bindi.

O site Daily Mail publicou o vídeo onde o coala aparece ao lado do cachorro Rusty. Os dois aparecem compartilhando uma bebida nas Colinas de Adelaide, em meio à seca do incêndio na Austrália.

Compaixão é tudo, não é mesmo?


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Raposa dócil é salva após ser confundida com um cachorro

Dawn, que significa “amanhecer” em inglês, é uma raposa que não pode ser devolvida à natureza. Segundo a postagem do site One Green Planet de 14/01, o animal é residente do santuário Nuneaton e Warwickshire Wildlife Sanctuar, no Reino Unido. A maioria dos animais acolhidos pela instituição é devolvida ao habitat, no entanto, o caso da raposa é diferente.

A raposa foi trazida por uma pessoa que a encontrou e pensou ser um cachorro, em razão do animal apresentar características muito mansas. Dessa forma, devido ao temperamento “zen”, o animal não pode ser devolvido ao ambiente natural, pois seria incapaz de se defender sozinha.

O site também ressalta que embora a raposa apresente o comportamento de um cão, não deve ser visto como um animal doméstico, uma vez que pertence à natureza.

No vídeo, Dawn está com Geoff, funcionário do santuário, comprovando que suas características são similares as de um cachorro. Nas imagens, Dawn claramente gosta e aceita os carinhos de Geoff.


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Irmãos usam as redes sociais para levar o veganismo para a periferia

Os irmãos Leonardo e Eduardo Santos, de 23 anos, são veganos, vivem na periferia de Campinas (SP) e usam a realidade que vivenciam diariamente para mostrar que o veganismo não é destinado apenas à elite. Por meio de rodas de conversas, eventos e, principalmente, pela internet, eles apresentam à população um veganismo acessível. No Instagram, a dupla criou o perfil “Vegano Periférico”, que já tem mais de 250 mil seguidores. Em entrevista exclusiva à ANDA, Leonardo abordou o trabalho realizado em parceria com o irmão. Confira abaixo.

Foto: Victória Cócolo/ G1

ANDA: Quando você e seu irmão se tornaram veganos?

Leonardo: Meu irmão se tornou vegano primeiro do que eu. Eu me tornei vegano dois anos depois, porque eu tinha muita dificuldade em me alimentar, em comer fruta, legumes, vegetais. Eu só comia arroz, feijão e um pedaço de bicho morto mesmo. Meu irmão já comia um pouco melhor, então quando a gente entrou em contato com a informação da questão do sofrimento animal, que aconteceu em 2015 quando tombou a carreta com as porcas no Rodoanel, a gente teve esse contato, só que eu não consegui mudar minha forma de viver por vários motivos. Um deles é que eu não conseguia me alimentar de outra forma, então acabei ignorando, e também porque eu tinha um certo preconceito com o veganismo da forma como ele é propagado. Mas o meu irmão e a namorada dele seguiram. A partir desse momento, de quando tombou a carreta, eles começaram a fazer uma ligação… “por que eu tenho um cachorro em casa e as porcas a gente come?”. Ai eles começaram esse questionamento e começaram a pesquisar muito sobre isso e nesse mar de informação eles foram mudando. E aí, depois de dois anos, eu decidi que queria mudar minha alimentação, que ia contribuir com a causa e me tornei vegano.

ANDA: Como surgiu a ideia de criar o Instagram “Vegano Periférico”? 

Leonardo: Depois que a gente se tornou vegano, começamos a frequentar mais feiras, a ir nos lugares. Aqui no bairro comecei a conversar com muita gente, só que eu também frequento locais onde está a classe média e converso com muita gente de classe média. A gente começou a ver tudo isso e perceber o quanto é difícil, na cabeça da população de periferia, assimilar uma informação como o veganismo, por toda questão estrutural de sociedade que a gente tem. E as pessoas que são veganas que vem da elite elas propagam isso de forma ainda pior, direcionado somente para a elite.

E aí um dia eu estava lendo um livro de sociologia e nesse livro tinha uma passagem que falava sobre o movimento punk na periferia e estava escrito “punk periférico”. E meu irmão teve a ideia de criar o Instagram. Ai eu postei um prato lá, com a necessidade mesmo de tentar mostrar para as pessoas que é possível você vir de uma realidade super conturbada, superdifícil, de uma realidade em que nós somos massacrados todos os dias, mas que com acesso à informação você pode pensar, você pode ter escolhas e que contribuir com o veganismo não é diferente. E depois que a Nátaly Neri fez uma menção à página, ela tomou uma grande proporção. O perfil é muito natural, a gente não pensa muito no que a gente está fazendo, não tem uma estrutura por trás, é algo muito natural, a gente vai vendo no dia a dia o que está acontecendo e vai publicando. Mas sem pretensão de fazer nenhuma revolução, a gente só quer agregar com a causa, contribuir e mostrar uma outra forma de pensar o movimento.

ANDA: Em uma publicação recente no Facebook, vocês disseram que o veganismo ainda está muito distante do povo. Agora, você mencionou isso novamente ao falar da dificuldade das pessoas da periferia em adotar o veganismo. Na sua opinião, a que se deve isso? O que torna a informação tão inacessível a população mais pobre?

Leonardo: É uma questão de cultura, é uma questão de que a informação na periferia custa a chegar. Tem uma questão totalmente estrutural. Nós vivemos numa sociedade, principalmente no Brasil que a desigualdade é tão visível, e a população pobre de modo geral precisa trabalhar muito, se preocupar muito com a própria sobrevivência, ela vive numa realidade tão diferente do que a elite e a classe média vivem que é impressionante. Qualquer tipo de abordagem sobre causa, sobre pensamento crítico, alguma coisa que saia do senso comum, para a periferia é uma coisa um pouco mais complicada, porque ela não tá acostumada com isso. Ainda tá distante do povo porque para o povo seguir alguma coisa, acreditar em alguma coisa, isso tem que ser passado de uma forma muito clara, tem fazer muito sentido para a população.

Isso acho que é só com tempo mesmo, com uma linguagem acessível, dialogando com a galera da base mesmo, sem ficar falando de produtos caros, sem ser agressivo na hora de passar uma informação ou chamar as pessoas de assassinas. Porque, infelizmente, a periferia está dentro de uma realidade extremamente difícil e para que a gente consiga pensar algo além da nossa sobrevivência é necessário muita consciência, muito contato com a informação. É um trabalho de base muito árduo.

E a maioria das pessoas que propaga veganismo, que faz um trabalho preocupado com os animais, que é extremamente importante, não entende dessas realidades porque não vem dessas realidades. Então fala somente com seu grupinho, falando de produtos caros, com uma linguagem acessível, falando muito em inglês. Então tudo isso complica na hora da população acessar a informação sobre o movimento e a importância que tem esse momento.

Também tem a questão de que o nosso sistema capitalista ele não permite que as pessoas pensem, é uma máquina que faz as pessoas serem condicionadas a terem determinadas atitudes em tudo. Então, além da questão sistêmica, de que o sistema capitalista sabota a população pobre e bloqueia o pensamento crítico, tem a forma como propagamos o veganismo.

Foto: Reprodução/Instagram/Vegano Periférico

ANDA: Você acredita que o ativismo via internet facilita a chegada da informação sobre veganismo à população mais pobre? Porque embora existam pessoas na periferia que não tenham acesso à internet, muitas outras que vivem essa mesma realidade acessam as redes sociais.

Leonardo: Se não fosse a internet provavelmente eu e meu irmão não teríamos nos tornado veganos, porque tivemos contato com o veganismo através de vídeos que ativistas fizeram após a carreta tombar, falando dos animais, vídeos gravados por ativistas olhando para os porcos e dizendo “ele iria virar um bacon”. A internet é fundamental. Tudo que pesquisamos, as fontes que fomos atrás, foi via internet. Porém, tem o problema de que, embora a internet seja maravilhosa, as pessoas não sabem utilizar a internet. As pessoas usam de forma alienada, mesmo com uma grande quantidade de informação que tem. As pessoas não são educadas a procurar se informar. Mas a internet é excelente. Só que a gente tem que sair um pouco da internet e ir para o palpável, fazer rodas de conversa na periferia, convidar a galera para fazer bolo, oficina, comida em geral. Além do ativismo na internet é preciso ir para a realidade e se movimentar em grupos de forma prática.

ANDA: Você falou sobre levar o debate sobre o veganismo para fora da internet. Você e seu irmão começaram a participar de rodas de conversa sobre veganismo popular, uma delas na UnB (Universidade de Brasília) e outra na periferia de Campinas. Como estes eventos tem sido recebidos pelo público presente, especialmente no caso dos eventos feitos na periferia?

Leonardo: Já fiz algumas rodas de conversa no meu bairro, na casa de cultura, numa ocupação na periferia que tem aqui perto. Quando você chega com um assunto tão difícil de entender para a maior parte da população é preciso ouvir o que eles têm a dizer. A gente sempre pergunta o que eles pensam, o que eles sabem. E vão surgindo dúvidas, questões. Porque só da pessoa ir para a roda de conversa, ela já está aberta, então é mais fácil, a galera recebe bem.

Só que aconteceu um caso interessante em Brasília. Não deu certo na UnB, por causa de uma greve, então a gente propôs que fosse numa escola pública na periferia. Tinham uns 200 alunos. No começo, fizeram piadinhas. Só que aí a gente percebeu que já foi ignorante e começou a se colocar na situação para ganhar campo e amenizar os ânimos. Falamos de como funciona a ignorância, de como a escola pública é sabotada e somos criados para não pensar e os alunos começaram a ficar quietos e a prestar atenção. No meio da palestra, várias perguntas surgiram sobre veganismo.

Acho que a gente primeiro, antes de falar de veganismo em qualquer lugar, a gente precisa entender onde a gente está e entender com quem a gente está falando, para não chegar com tanta euforia e ser rejeitado. A experiência na escola foi muito boa. No começo, ninguém respeitava, era uma gritaria. Comecei a explicar detalhe por detalhe, até brincamos e falamos que se estivéssemos do lado deles na época da escola também estaríamos gritando e não dando ouvido a algo importante. As pessoas recebem bem se elas conseguirem ter uma base para poder pensar.

ANDA: Você contou que os alunos a princípio demonstraram resistência ao tema. Quando o evento na periferia de Campinas foi divulgado numa página que leva o nome da região onde o evento foi realizado, houve comentários de pessoas debochando. Você acredita que a informação sobre o veganismo é capaz de conscientizar até mesmo pessoas que apresentam esse tipo de discurso? 

Leonardo: Na verdade, as pessoas nem sabem que o veganismo é uma causa justa. Não entra na cabeça de muita gente isso, é algo muito novo. Eu vi que teve muita gente fazendo piadinha sobre o evento. Assim aconteceu também quando a gente saiu no G1. Mas eu vejo assim, o veganismo está com uma imagem muito defasada, o veganismo aparece para as pessoas de uma forma muito nebulosa. E é justamente pela forma que ele é propagado pela maior parte dos veganos, sem perceber que estão propagando assim.

O nosso trabalho é também ajudar para mostrar uma outra forma de olhar para esse movimento. A gente tenta fazer nossa parte para ser exemplo, mas acho que mesmo assim é muito difícil que essas pessoas que falam tão mal conseguir olhar de outra forma. Mas uma coisa que acontece no nosso Instagram é que muitos adolescentes, principalmente homens, entram na página e mandam mensagem do tipo “ah, carne é gostoso, vamos matar um animal sim”. Aí a gente responde, pergunta se a pessoa está bem, e a pessoa desarma e pede desculpa por ter mandado a mensagem. Essa questão de desarmar as pessoas, perguntar por que ela gosta de carne, no nosso perfil tem funcionado. Não teve nenhum que não respondeu preocupado com a mensagem que mandou. Acho, então, que é uma questão de conversar, de fazer a pessoa se enxergar na própria ignorância. É possível, por mais difícil que seja.

ANDA: Como mostrar para as pessoas que não é preciso ser rico para ser vegano?

Leonardo: Não tem uma solução, tem caminhos. Acho que a gente precisa ser mais simples, compreensível ao passar a mensagem. Precisa entender que as pessoas estão totalmente desconectadas do veganismo. É necessário que a gente não tenha essa ansiedade e não seja imediatista. Precisamos entender que cultura, mentalidade, tudo isso vai mudando geração pós geração. E o nosso trabalho é fazer um trabalho de base agora. Falar fácil, simples, não usar expressões em inglês, não falar de produtos industrializados e caros. O trabalho é diário, a gente ser um exemplo, fazer nossa parte e conversar com as pessoas de forma educada.

ANDA: O Instagram de vocês tem mais de 250 mil seguidores, o que significa que as publicações de vocês, com refeições simples, acessíveis e nutritivas, atingem muitas pessoas. Vocês têm recebido um retorno positivo dos internautas?

Leonardo: O retorno é muito grande. É muita gente mandando mensagem para a gente falando que mudou a forma de enxergar o veganismo, que tinha preconceito e viu que estava equivocado. Recebemos muitas mensagens todos os dias. A galera parabenizando o trabalho, agradecendo, e para gente isso é o que faz sentido continuar na causa, ver o retorno, ver que a galera está se movimentando, está se mobilizando e que a página tem algum sentido.

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Congresso aborda questões éticas e jurídicas da relação entre humanos e animais

O V Congresso Brasileiro e II Congresso Latino-americano de Bioética e Direito dos Animais será realizado de 4 a 6 de setembro na Universidade Federal de Sergipe (UFS). O evento será promovido pela UFS em parceria com o Instituto Abolicionista Animal (IAA) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subseção Sergipe e contará com o apoio da Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA), do Departamento de Zootecnia (DZO) da UFS, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Universidade Católica de Salvador (UCSAL), da Universidade Tiradentes (UNIT) e da Universidade Sete de Setembro (FASETE).

Congresso será realizado em Aracaju (SE) (Foto: Reprodução)

O objetivo do Congresso é transformar Aracaju no maior pólo difusor da temática, aproveitando a experiência desses eventos realizados desde 2008. Expandir temas relacionados à bioética e ao direito dos animais, evidenciando “a possibilidade de convivência pacífica entre todas as espécies”, conforme explicou o coordenador científico do evento, o jurista pós-doutor pela Pace University, Tagore Trajano, professor da Universidade Federal da Bahia, em entrevista exclusiva à ANDA. Confira abaixo.

ANDA: Qual é intuito do Congresso?

Tagore Trajano: A ideia do evento é fazer com que o Brasil se torno o maior pólo difusor da temática da bioética e dos direitos dos animais na América Latina. Estes eventos itinerantes colaboram com a expansão da temática, capacitação de professores e estudantes, bem como fortalecimento dos grupos de defesa da bioética e dos animais. Tudo começou com os congressos mundiais em 2008, sempre bienais, sendo realizados nos intervalos os congressos brasileiros e, agora também, o latino-americano.

ANDA: Qual é a sua expectativa para o evento que será realizado em setembro?

Tagore Trajano: A melhor possível. Primeiro porque cada vez mais, no Brasil, grandes grupos vão surgindo dentro da área do direito animal. Já somos referência para o mundo sobre a questão animal e seus estudos. A região Nordeste, em especial, tem tido um grande protagonismo nessa discussão, tendo o apoio de grandes universidades e de seus pesquisadores.

ANDA: O que tem motivado, no seu ponto de vista, uma discussão maior dessas pautas no Nordeste?

Tagore Trajano: Creio que seja por causa da Universidade Federal da Bahia (UFBA), este centro do conhecimento em pouco tempo se tornou o maior pólo de conhecimento da temática, tendo realizado os dois primeiros congressos mundiais, promovido a Revista Brasileira de Direito Animal e capacitado pessoas que, como eu, hoje difundem o tema. Fui estudante da UFBA e participei de iniciação científica, grupos de pesquisa sobre a temática. Hoje, estando como professor da cadeira, tento promover e estimular tudo que aprendi ali. Da mesma forma, outras instituições do Nordeste estiveram engajadas nesse processo, foi o que aconteceu com as Universidade Federais de Pernambuco e Paraíba. Mas não se pode esquecer que esse debate não se limita a uma região. Por exemplo, os congressos brasileiros já rodaram o Brasil, tendo tido como sede Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre e Niterói, no Rio de Janeiro. Creio que todos estão imbuídos a fazer essa causa crescer.

ANDA: Qual tipo de público é esperado para o Congresso?

Tagore Trajano: Todos sem restrição. O público em geral. Ativistas, defensores e pessoas que têm afeição pelos animais, graduados, mestres, doutores e estudantes de graduação e pós-graduação. O que queremos é dialogar com todos os setores que pensam a relação com o não humano. Queremos ensinar, mas também aprender muito com os participantes sempre com intuito de melhorar o convívio entre todos os seres.  

ANDA: Qual será a estrutura do evento no que se refere à programação e aos profissionais e temas que farão parte do Congresso?

Tagore Trajano: Esse evento será o maior desde os eventos da Bahia e Curitiba. Contaremos com grupos de trabalho, minicursos – nos quais professores vão oferecer capacitação para grupos pequenos de alunos – e dois auditórios grandes com palestras ocorrendo de maneira simultânea, a fim de que o participante possa eleger qual tema lhe toca. A abertura do Congresso será feita pelo jurista e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto. O encerramento ficará por conta do juiz e ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça José de Castro Meira e o Professor Doutor Andreas Krell, da Federal de Alagoas. Entre os profissionais que irão debater temas relativos à bioética e ao direito dos animais estão médicos veterinários, médicos, juristas, zootecnistas, biólogos, engenheiros e filósofos. O objetivo é promover um diálogo entre todas as áreas do conhecimento.

ANDA: O que são e o que farão os grupos de trabalho?

Tagore Trajano: Os grupos de trabalho funcionarão como uma espécie de iniciação científica que farão a apresentação dos debates que irão ocorrer durante o evento. Todo participante pode submeter seu artigo para apresentar no evento. As inscrições estão abertas no site. Nesses espaços, outros participantes, com o apoio de um professor-coordenador, debaterão sobre o artigo proposto, seus pontos positivos e negativos e como aprimorá-lo. 

ANDA: Qual é o tema do evento deste ano e o que ele significa? 

Tagore Trajano: O tema do evento é Mãe-Terra: Direito da Natureza e dos Animais: diagnósticos e perspectivas. Trata-se de uma defesa da natureza em relação a todos os seres vivos. O objetivo é passar a mensagem de que vivemos num mesmo habitat e que somos seres importantes – todos nós, sem distinções – e que devemos fortalecer e defender, cada vez mais, a relação entre humanos e não humanos. Um chamamento para os participantes fazerem sua parte nessa luta. 

Tagore Trajano (Foto: Arquivo Pessoal)

ANDA: Como você enxerga a evolução do direito animal no ordenamento jurídico brasileiro?

Tagore Trajano: Venho acompanhando atentamente este debate desde 2005, tendo tido momentos de avanços e outros de retrocesso. Por exemplo, acompanhamos uma caminhada de passos largos até 2017, congressos ao redor do país, decisões favoráveis aos não-humanos, evolução dos centros de pesquisa e de seus pesquisadores, bem como da legislação ao redor do mundo. No entanto, desde a promulgação da Emenda nº 96/2017, no caso da vaquejada, temos que nos alertar para os próximos passos a serem dados, uma vez que podem gerar um retrocesso sem precedentes. A crise política e institucional que acometeu o Brasil foi ruim para todos, inclusive para os não humanos que tiveram seus direitos limitados pela inserção de um novo parágrafo na Constituição. Gosto do dizer do Supremo Tribunal Federal (STF), nas palavras da Presidente da Corte na época, Carmen Lúcia, que disse que o Direito tem um papel de estimular condutas positivas na sociedade, e, eventos como a vaquejada não parece um exemplo a ser seguido. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem dado decisões importantes na seara animal, possibilitando o que se chama de família multi-espécie, guarda compartilhada para animais domésticos e a evidencia de uma certa politica de proteção ao determinar que os animais não podem ser tratados de forma desrespeitosa. 

ANDA: Você apontou retrocessos promovidos pelo STF. Neste cenário, o V Congresso Brasileiro e II Congresso Latino-americano de Bioética e Direito dos Animais pode ser considerado uma forma de resistência a tais retrocessos? 

Tagore Trajano: Não só uma forma de resistência, mas uma maneira de trazer também elementos novos para o debate. Temos grandes pesquisadores participando desses eventos: Paula Brugger, Luciano Santana, Vânia Tuglio, Fernanda Medeiros, Ângela Ferreira, Francisco Figueiredo, Heron Gordilho, Carlos Machado, Ilzver Matos, dentre outros. São essas pessoas que ajudam a formar um novo senso de moralidade em nossa sociedade, colaborando com o avanço da proteção dos animais e das desigualdades do povo. O papel do Direito é dar tráfego social a todos que precisam. É garantir que as pessoas tenham segurança e paz para poderem oferecer o que há de melhor no humano, o respeito para com o outro. Sendo assim, o Congresso ajuda a estimular, acreditar e perceber que existem condutas positivas que devem existir não só entre os seres humanos, mas também entre as demais espécies. O Congresso finca uma bandeira que mostra que está na hora de olhar além do próprio espelho, além do próprio umbigo. Vivemos com outras espécies e é importante que essas espécies sejam atendidas também.

ANDA: Além da evolução do direito animal no ordenamento jurídico, há também uma evolução no que se refere aos profissionais não só do Direito, mas de diversas áreas. Como você vê esse processo?

Tagore Trajano: Acredito que esse evento evidencia isso ainda mais, o que é outro lado positivo do Congresso. Estamos fazendo o evento em colaboração com as ciências agrárias, então a gente está rediscutindo a forma de pensar a economia de nosso país. Já está na hora do Brasil não ser mais a fazenda do mundo, o espaço de utilização do outro, seja o não humano, o trabalhador, a natureza. Pode-se mais, se quer mais. O Brasil tem como base econômica o agronegócio, em uma relação de antagonismo com a proteção do não humano e do ambiente, isso faz com que haja uma série de conflitos agrários, devastação ambiental e exploração animal. Ao realizar o debate com a participação das ciências agrárias, estamos revendo a forma de pensar a relação com os animais. Por isso acredito no avanço. Se o veterinário, o zootecnista, os advogados penalista e civilista estão vindo debater com a gente para questionar o que é o direito animal é porque eles querem se informar sobre o tema e repensar sua forma de pensar o outro, seja a natureza, seja os demais animais. Esse é o legado do evento: pensar as bases para uma sociedade mais justa e solidária.

ANDA: Você acredita que a proposta de repensar nossa relação com a natureza como um todo, o que inclui os animais, beneficia também seres humanos e possibilita a criação de uma sociedade mais compassiva? 

Tagore Trajano: Sim, constrói-se uma sociedade melhor. Se conseguimos ter uma relação respeitosa com os animais, vamos conseguir perceber nossa relação de forma positiva com qualquer outro ser, inclusive com a natureza e com outros seres humanos. E é isso que a gente pretende. A gente não quer uma sociedade separada, queremos uma sociedade unida, com todos os seres que fazem parte dela vivendo em harmonia. Não há problema ser diferente ou que exista discordância, o problema é a imposição de um estilo, de uma ideologia a todos sem pensar, sem questionamentos.

Um evento como esse ajuda a gente a perceber a mudança que devemos promover na sociedade. Por exemplo, um zootecnista, acostumado a tratar o animal como um produto, vai ao Congresso pra repensar essa relação. Quando a gente chama todo esse grupo para esse debate, a gente começa a promover mudanças e, assim, conseguimos chegar ao ponto de mudar uma decisão do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Isso porque o Direito estimula condutas, o que faz com que as cortes, ao perceberem que a sociedade tem um novo tipo de relação com os animais, comecem a emitir decisões favoráveis a eles. Gosto de pensar o básico, o simples, pois são essas relações que transformam e fazem com que compreendamos que apenas juntos seremos mais fortes.

As inscrições para o V Congresso Brasileiro e II Congresso Latino-americano de Bioética e Direito dos Animais, que será realizado em Aracaju (SE), estão abertas e devem ser feitas no site oficial do evento. 

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